Abanadores

Abanadores – Wicalu

Criados baseados na crença de que os pássaros ligam o mundo físico ao espiritual e que abanadores elevam nossas orações ao Grande Espírito, são considerados objetos sagrados, sempre presentes em orações, festividades e cerimônias de cura.

Existem diversos conceitos diferentes sobre como construir seu Abanador e cada etnia tem costumes e crenças que norteiam a criação dos mesmos.

Podemos dizer com certeza, que cada abanador é de fato uma obra de arte única e ricamente simbólica.

Independente de pequenas diferenças no feitio ou significado das peças, o artesão seleciona as penas a serem usadas com cuidado e reverência, pois cada uma delas representa o espírito do pássaro que as ofereceu.

Importante salientar que apenas os povos nativos americanos podem ter penas de pássaros protegidos pelo governo federal, como águias e falcões o que agrega um significado espiritual ainda maior aos abanadores e um grande sentimento de honra por poder confeccionar uma peça dessa importância.

Um dos pássaros mais importantes para confecção desse objeto sagrado é a Águia, altamente reverenciada e considerada sagrada. São honradas com muito cuidado e respeito. Elas representam a honestidade, a verdade, a majestade, a coragem, a força, a sabedoria, o poder e a liberdade.

Outro pássaro muito respeitado é o Falcão, considerado uma divindade sobrenatural, que reside com os espíritos do Sol, da Lua e das estrelas. Representa, portanto o mundo superior.

Atualmente, Abanadores, continuam sendo usados em cerimônias Xamânicas, em atendimentos de terapias alternativas ou mesmo individualmente por aqueles que reconhecem o valor, respeitam e se guiam pelas tradições dos povos nativos.
Evidentemente usam penas de outros tipos de aves, especialmente daquelas que são abatidas para consumo como patos, galinhas, gansos etc.
Isso não significa, a meu ver, que essas aves não mereçam, da mesma forma, nosso respeito e reverência.
Tão pouco que esses abanadores sejam inferiores em seu propósito.
O objetivo central na elaboração de um Abanador, deverá ser sua finalidade: direcionar a fumaça produzida pela queima de ervas sagradas, numa oferenda, num benzimento, numa oração, num processo de cura.

Nossos ancestrais usavam esses Abanadores para auxilia-los na cura do corpo físico e espiritual.
Com eles enviavam uma mensagem de oração específica ao Grande Espírito, Wakan Tanka, agitando o Abanador para dentro e para fora da fumaça produzida pela queima de ervas, para que suas orações fossem levadas para cima através dessa fumaça, pelo espírito das aves representadas pelas penas do Abanador.
Essa fumaça pode ser dirigida ao paciente enfermo em processos de cura e benzimento.

Várias ervas diferentes criam fumaça curativa e a Salvia, geralmente, é a primeira erva usada para encorajar os espíritos malignos a deixarem o paciente ou o local a ser tratado.
Em seguida, o Cedro é queimado, pois se acredita que ele refresca e purifica. Finaliza-se com a fumaça de uma erva adocicada para atrair espíritos benéficos.

Muito tempo e cuidado são gastos na fabricação de um Abanador, As penas devem ser selecionadas, lavadas cerimonialmente em soluções especiais de ervas secas, para depois serem confeccionadas juntas.

Aqueles que reconhecem o cuidado e a devoção sagrada inerentes à criação desses Abanadores, fazem uso dos mesmos para limpeza energética e cura do corpo e da alma.

Outro detalhe presente na elaboração de abanadores são as franjas.
Os nativos norte americanos usavam preferencialmente a pele do veado, pois dependiam dele para obter comida, abrigo e roupas.
Essas franjas representam as raízes de uma pessoa na terra, suas origens, seus ancestrais.

Muitos abanadores são decorados com contas, num trabalho maravilhoso de entrelaçamento, formando imagens significativas para representarem o amanhecer, o nascer do sol, o por do sol, as diferentes estações, aves, plantas e animais que compõe nosso maravilhoso planeta.
Essa técnica é bem característica nos adornos e instrumentos sagrados dos povos nativos norte americanos.

<p value="<amp-fit-text layout="fixed-height" min-font-size="6" max-font-size="72" height="80">Gostaria de finalizar esse artigo, replicando uma linda oração.<br>Gratidão pela visita – ( Wóphila)<br><em>Lourdes Azevedo</em><br><br><strong>Prece da Limpeza (pela queima de ervas)</strong>Gostaria de finalizar esse artigo, replicando uma linda oração.
Gratidão pela visita – ( Wóphila)
Lourdes Azevedo

Prece da Limpeza (pela queima de ervas)

“Que suas mãos sejam limpas,
para que elas possam criar coisas bonitas.

Que seus pés sejam limpos,
Para que eles possam levá-lo para onde você deve estar.

Que o seu coração seja purificado,
para que você possa ouvir suas mensagens claramente.

Que sua garganta seja limpa,
para que você possa falar acertadamente quando as palavras forem necessárias.

Que seus olhos estejam clareados,
para que você possa ver os sinais e maravilhas deste mundo.

Que esta pessoa e espaço sejam lavados e limpos
pela fumaça dessas plantas perfumadas.

E que essa mesma fumaça conduza nossas orações,
espiralando para o céu.”

(Mystic Mermaid)

Dreamcatcher

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Dreamcatcher – Filtro dos Sonhos

Na rica cultura dos povos indígenas certamente aprendemos uma série de lições práticas e eficientes para nossas vidas. O que a civilização moderna perdeu ao longo do tempo, assistimos presente na vida desses povos originais do nosso planeta.
O relacionamento desses nativos com a natureza, por exemplo, denota seu respeito e confiança na mesma, além da sincera compreensão de que toda vida é sagrada e contém em si a energia fundamental do criador.

São os símbolos da natureza que inspiram esses povos na criação de seus instrumentos sagrados.
O círculo que define o tambor, que delimita suas tendas, que orientas suas danças, por exemplo, molda também o Dreamcatcher (Apanhador de Sonhos) e todos são inspirados na natureza, nos movimentos circulares dos ventos, no movimento circular do sol e da lua, das estações do ano, dos ninhos dos pássaros, no movimento circular que a criatura humana percorre durante a vida, de uma infância à outra.

Observando mais de perto o Dreamcatcher (Apanhador de Sonhos ou Filtro dos Sonhos) vemos também a representação da teia de aranha e lembramos que o universo é uma enorme teia na qual toda a criação está conectada.

Todas as tribos norte-americanas confeccionam seus Dreamcatchers, mas o primeiro registro da utilização desse artefato sagrado está relacionado à tribo Ojibwe ou Chippewa que vivia na região dos grandes lagos americanos, entre o Canadá e os Estados Unidos.

A introdução desse objeto sagrado na vida desses nativos é contada por uma lenda.
Diz-se que um índio saiu em peregrinação ao topo de uma montanha, em busca de visão e que durante sua meditação encontrou uma aranha, a grande tecelã do universo, que lhe trouxe uma importante mensagem.
A aranha  prendeu as extremidades de um galho de cipó formando um círculo e teceu dentro dele, uma teia. Enquanto tecia sua teia ela lhe lembrou que tudo nessa vida está relacionado ao movimento circular. Lembrou também, que a vida é rodeada de energias boas e energias ruins e que cabe a cada um de nós separa-las e trabalhar com elas. Se trabalharmos com as energias boas, seremos guiados na direção da harmonia com todas as coisas, mas, em caso contrário, encontraremos a dor e o infortúnio.
Quando a aranha terminou de tecer sua teia, entregou ao índio o aro e lhe disse:
“No centro deste aro está a teia que representa o ciclo da vida. Use-a para ajudar o seu povo a alcançar seus objetivos, fazendo bom uso de suas ideias, sonhos e visões.”

Vale mencionar que os sonhos desempenham um papel fundamental na vida desses povos e aprender a decifrar as mensagens contidas neles, é a tarefa mais importante que têm durante sua passagem pela terra. Logo, o Dreamcatcher se tornou uma importante ferramenta para auxilia-los nesse propósito.
Pela teia circulam as energias positivas e negativas. As negativas ficam presas nas ramificações da teia enquanto que as positivas atravessam o furo central e penetram no ambiente em que o artefato estiver colocado. Com o nascer do sol, a luz dissolve as energias negativas que  estavam presas à teia. As penas que enfeitam essas peças representam o elemento Ar, a respiração e as contas ou cristais representam o elemento Terra.

Com a popularização desse artefato por volta dos anos 60, qualquer pessoa pode ter o seu Dreamcatcher pendurado na janela ou nas paredes de suas casas, locais de trabalho, em seus carros. E como aqueles confeccionados pelos povos nativos, proporcionam harmonia, garantem o fluxo de energia positiva no ambiente e descartam as influências negativas às quais somos submetidos diariamente em qualquer ocasião.
Convém, porém, dar preferência às peças confeccionadas artesanalmente, se possível por alguém que conheça e respeite a cultura indígena e cada um dos elementos usados na confecção do mesmo. Alguém que terá o cuidado de canalizar vibrações harmoniosas durante o feitio da peça.

Símbolo de confraternização entre os povos nativos, o Dreamcatcher é um importante aliado na limpeza e manutenção energética do espaço em que vivemos.

Lourdes Azevedo

Medicine Bag

Mai-1

Medicine Bag
Medicine Pouch
Maí
(Bolsa de Medicina)

Para podermos falar um pouco sobre esse assunto, precisamos, antes de qualquer coisa, definir o que significa “medicina” neste contexto.
Para o homem branco, a palavra medicina remete a remédios, médicos, hospitais e semelhantes.
Já para os povos nativos, “medicina” é uma referência a tudo que envolve força espiritual, energia, mistérios ou poderes sobrenaturais.
Uma Medicine Bag (Bolsa de Medicina) é um item ancestral e sagrado que foi criada para que a representação da energia desejada pudesse estar sempre junto de seu portador, para representa-lo espiritualmente.
Nela costumam ser guardados objetos que transmitem essa energia e que tenham significado importante para o seu dono.

A essência desses objetos guardados na sua Bolsinha de Medicina, cria um campo de energia e essa energia o guiará, protegerá e o representará.

Ter uma Bolsinha de Medicina e usa-la perto do coração, fará uma conexão da energia dos objetos  com o seu Eu interior, com o seu Eu espiritual e estará lá para lembra-lo constantemente, de quem você realmente é.

É tradição dos povos nativo americanos, carregar consigo sua ‘medicine bag’ com itens que os aproximem do Grande Espírito, o Criador, com itens que os conectem com o seu animal de poder, seus guias ou aliados, com as energias da natureza.

É possível, inclusive, ter mais de uma Bolsinha de Medicina.
Se você trabalha com terapias, por exemplo, poderá ter uma dessas bolsinhas com algumas ervas que possam auxilia-lo em seus atendimentos, na formação de um Círculo Sagrado, num tratamento de cura.
Uma outra poderá lhe ajudar numa jornada de Busca de Visão, numa meditação.

Seria interessante que, após escolher os objetos que você deseja guardar dentro dela, você se sentasse calmamente e passasse cada um deles, pela fumaça produzida pela queima de ervas como a salvia ou o capim limão.
Muito importante que você trate cada objeto, como aquilo que eles realmente são: a representação de uma energia da natureza. Feito isso, você poderá coloca-los na sua bolsa de medicina.
Pense sobre cada um dos objetos que você guardou e o que eles significam pra você. Expresse seu agradecimento pela ajuda oferecida por eles e imagine uma troca de energia entre você e sua Bolsa de Medicina.
Deixe a energia vinda dela fluir sobre você e estabeleça uma conexão de gratidão com o Grande Espírito, o Criador.
Quando você terminar essa meditação, carregue sua Bolsa de Medicina sempre com você, de preferência pendurada ao pescoço ou fixada a um cinto. Os nativos acreditam que a energia produzida por ela será melhor aproveitada se a mesma estiver perto do seu corpo.
Se possível, durma com ela sob seu travesseiro.
De tempos em tempos você poderá sentir a necessidade de remover alguma coisa ou de adicionar um item novo à sua Bolsa de Medicina.