Sacrifício – Icicupi

nativeamericanthunder

Sacrifício
Icicupi (dar de si mesmo, oferecer-se)

Hoje vou falar sobre um assunto com o qual todos nós, de uma forma ou de outra, estamos familiarizados.
Durante nossa vida aqui na mãe Terra, nos deparamos com diversas situações que nos obrigam a fazer concessões, sacrifícios, a abrirmos mão de alguma coisa em prol de alguém, em prol de uma causa, uma circunstância.
Talvez trabalhemos num lugar que não nos deixa felizes, mas que garante o sustento de nossa família. Ou talvez precisemos deixar de realizar um desejo, como uma viagem de férias, em função de alguém que precisa dos nossos cuidados.
Pais em geral, deixam de lado suas vontades, para atender aos desejos ou necessidades de seus filhos.
Infinitas são as formas de sacrifício…
Você que está lendo esse texto agora, deve estar lembrando de algum sacrifício que precisou fazer ou ainda, que está fazendo, em função de uma pessoa, de uma situação, de uma contingência.
Existem duas formas de encararmos situações como essas.
Uma delas é revoltar-se, reclamar e maldizer o problema, o que só deixará o fardo ainda mais pesado, o desafio ainda maior.
Outra maneira é enfrentar o mesmo problema com serenidade, otimismo e positividade, o que transformará o fardo em algo bem mais leve e fácil de carregar.

A história que vou contar hoje, ilustra muito bem as consequências de um posicionamento equivocado face à adversidade.
Talvez você não saiba, mas para o povo Lakota, antigamente, não era absurdo acontecer de um homem ter duas esposas.
Não era uma situação comum, mas quando ocorria, o fato era aceito e respeitado pela comunidade.
Ter mais de uma esposa geralmente era consequência de uma situação específica. Por exemplo, um homem casado poderia tomar como esposa, a viúva de um grande amigo que se encontrava desamparada, com filhos para criar. Ou quando sua própria esposa expressava desejo que seu marido tomasse, além dela, uma de suas irmãs. Em situações como essas, era esperado que o homem assumisse a responsabilidade pelo sustento e cuidados de mais de uma companheira. Muitas vezes esse arranjo dava muito certo, mas muitas vezes acontecia exatamente o contrário…
Hà muito, muito tempo atrás, antes da chegada dos cavalos às planícies, num acampamento a leste das montanhas Black Hills, vivia uma mulher chamada Sina Luta ou Red Shawl (Xale Vermelho).
Ela havia se casado com um bom homem, bom provedor e de excelente reputação entre seu povo.
Apesar de estarem casados a bastante tempo, ainda não haviam conseguido ter um filho. Apenas depois de alguns anos Red Shawl conseguiu engravidar e deu à luz, um lindo menino.
A felicidade do casal era visível a todos.
Mas para surpresa e consternação de Red Shawl, seu marido lhe disse que traria uma segunda esposa para sua tenda.
Num acampamento próximo ao deles, um casal muito idoso criava uma de suas netas, desde que seus pais morreram numa nevasca.
O casal estava muito velho e queriam que a neta, Necklace, se casasse com um bom homem, antes de terminarem sua jornada aqui na terra.
Pediram a White Wing, marido de Red Shawl, que a tomasse em casamento e ele concordou.
Red Shawl, porém, nunca poderia imaginar que um dia precisaria compartilhar seu marido com outra mulher. Ela sabia que continuaria a ter uma posição privilegiada como primeira esposa, mas isso não conseguia conter seu ciúmes.
Quando White Wing partiu para buscar Necklace, Red Shawl juntou alguns poucos pertences, seu arco e flechas, alguns suprimentos, colocou seu filho em seu berço* e partiu da aldeia durante a noite, sem ser notada por ninguém.
Sua intenção era viajar para o leste até chegar a aldeia em que vivia uma de suas primas para ficar lá com ela. Red Shawl não estava disposta a dividir seu marido com outra mulher.
Muitos dias de caminhada aguardavam por Red Shawl. Mas ela era uma mulher forte, manuseava o arco e flechas com excelência, sabia caçar e certamente se sairia muito bem em sua jornada.
Mas Red Shawl não estava preparada para o que a esperava…
Depois de muita caminhada ela decidiu montar um pequeno acampamento para que ela e seu filho pudessem descansar por alguns dias.
Tudo estava indo muito bem, até que uma grande tempestade se formou, escurecendo o céu.
Tempestades de verão são consideradas pelos nativos, como a mais poderosa das criaturas que vivem nas planícies e os ventos são considerados a segunda.
Mais fortes do que o urso, mais perigosos do que o leopardo.
Red Shawl nunca havia enfrentado uma tempestade como aquela e agora estava sozinha, com seu filho para proteger.
Os ventos fortes levaram seu acampamento, seus pertences e toda sua provisão. Precisou de muita força e determinação para proteger seu filho. Pela primeira vez ela soube o que era estar sozinha…
A tempestade a açoitou e chacoalhou e a fez entender que a vida é uma jornada cheia de acontecimentos inesperados, como a chegada de uma segunda esposa para seu marido.
Red Shawl olhou para seu filho e percebeu que sua atitude o havia colocado naquela situação de perigo.
As águas da chuva começaram a subir rapidamente.
Desesperada Red Shawl procurava um abrigo, sem sucesso, até que avistou um enorme algodoeiro e amarrou o berço de seu filho na forquilha mais alta e mais forte que pôde alcançar.
Aos prantos ela gritou “Pai, leve-me se quiser, mas poupe meu filho!”
A correnteza a derrubou e a arrastou para longe.
Quando recobrou a consciência, seu corpo estava todo dolorido e gelado e não conseguia descobrir onde havia ido parar. Tentou ficar em pé e percebeu que havia torcido o tornozelo.
Na escuridão da noite ela viu estrelas no céu. A tempestade havia passado.
Mas Red Shawl só conseguia pensar em seu filho. O que teria acontecido a ele? Tentando manter a calma lembrou-se do algodoeiro. Talvez a tempestade não tivesse levado seu filho.
Ignorando a dor, ela se levantou determinada a encontrar aquela árvore e começou a caminhar a esmo.
Os pássaros começaram a acordar e ela notou um brilho pálido no horizonte. Estava amanhecendo e isso a ajudaria a encontrar seu filho.
Por volta do meio-dia ela chegou ao vale que havia sido inundado e reconheceu o enorme algodoeiro no qual deixara seu filho preso.
Mas ele não estava lá…
Desesperada ela começou a vasculhar a área em meio a gravetos e lama na esperança de encontrar seu filho entre os destroços deixados pela tempestade.
Já estava escurecendo e o desalento tomava conta de seu corpo.
Chorando, gritando e orando Red Shawl disse: “Vós, que viveis nas nuvens, tende piedade do meu filho. Ele é tão pequeno e indefeso. Leve seu espírito até o criador! E se tiver piedade, leve-me com ele!”
Mais uma vez ela caiu e não conseguia se mexer. Ela podia ver o rosto de seu bebê em sua mente e conseguia ouvir sua voz.
Tateando pelo chão, tocou em alguma coisa diferente. Nesse instante um grande relâmpago rasgou o céu e ela pode ver com o clarão, o berço de seu filho e o ouviu chorar. Ela agarrou o berço e o menino estava lá, como que por um milagre!
“Gratidão!” ela exclamou. “Obrigada a você que vive nas nuvens.”
Ela alimentou seu filho e os dois pegaram no sono agarrados um ao outro.
Na manhã seguinte, começaram sua jornada de volta pra casa.
No caminho, seu marido White Wing a encontrou. A família estava unida novamente.
White Wing conta para Red Shawl que havia decidido levar Necklace de volta para a casa de seus avós e disse: “Existem bons homens com quem ela poderá se casar.”
“Não!”, respondeu Red Shawl, “Isso traria vergonha para ela. Eu a receberei em nossa tenda, porque eu sempre me sentirei honrada por ser sua primeira esposa”.
E Red Shawl contou a seu marido sobre a tempestade, a inundação e como seu filho lhe foi devolvido pelo trovão.
Red Shawl nunca questionou como o trovão devolvera seu filho, mas esse mistério sempre lhe trouxe muita alegria e ela encarou o ocorrido como um presente que precisava ser retribuído.
Necklace foi muito bem recebida em sua tenda e com o tempo tornaram-se como irmãs.
O filho de Red Shawl cresceu alto e forte, muito devotado à sua mãe.
Quando completou 15 anos, seu pai White Wing, lhe concedeu o nome que sua mãe havia lhe dado e pelo resto de sua vida ficou conhecido como Wakinyan Aglipi, ‘Devolvido pelo trovão’.
Red shawl viveu muitos anos e foi tida como uma boa e  sábia mulher. Toda vez que trovões eram ouvidos e raios rasgavam o céu, ela saia de sua tenda e cantava uma canção de louvor para honrar aqueles que viviam nas nuvens.

Até mesmo uma atitude tola, pode levar alguém à sabedoria.

*Cradleboard/Berço: Forma tradicional usada pelos povos nativos para carregar seus bebês. Vide fotos ilustrativas a seguir.

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Honra

 

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Honra
Wayuonihan
(ter integridade, ser honesto, ter caráter)

Dando sequência à nossa jornada pelas virtudes buscadas pelo povo Lakota, hoje escreverei sobre uma muito importante, a honra!
A honra é um princípio que leva alguém a ter uma conduta digna e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade em que vive.
Envolve integridade, honestidade e força de caráter.
Para o povo Lakota, a cor relacionada à honra é o vermelho.
Muitas vezes a honra exige coragem e é exatamente sobre isso que versa a história que contarei a seguir.

Ha muito, muito tempo atrás, quatro caçadores empreenderam uma jornada às grandes montanhas chamadas de Black Hills (Paha Sapa), que se estendem do oeste de Dakota do Sul, até o estado de Wyoming.
Essas montanhas são muito importantes para os povos nativos da região, porque eles acreditam que o primeiro indivíduo de sua raça, surgiu de uma caverna dessas montanhas, atualmente chamada de Wind Cave.
Nessa região a caça é abundante!
Quando os quatro guerreiros alcançaram as Black Hills, resolveram montar um acampamento e descansar.
Durante a noite um deles levantou para alimentar a fogueira e teve uma visão assustadora. Uma enorme serpente havia deitado ao redor do acampamento.
A princípio o guerreiro achou que estivesse sonhando, mas ao constatar que a gigantesca serpente era real, acordou os demais companheiros para que, em total silêncio, também pudessem conferir o que estava acontecendo.
Assustado, o guerreiro mais jovem pergunta:
“O que devemos fazer? Poderíamos mata-la, se todos nós atirássemos flechas ao mesmo tempo.”
O mais velho, porém, argumentou que, caso eles não conseguissem mata-la com as flechas, ela certamente os devoraria em seguida.
Nada em suas vidas os haviam preparado para enfrentar uma situação como essa.
A serpente era tão alta quanto um búfalo e certamente seriam precisos vinte búfalos enfileirados para corresponder ao seu comprimento.
Depois de muitas conjecturas, o guerreiro mais velho disse que só haveria uma maneira de sair da armadilha em que se encontravam. Eles teriam que pular a serpente onde a cabeça encontrava com a cauda, o único lugar um pouco mais baixo do que o resto do corpo da mesma.
Eles atirariam suas armas por sobre a serpente, para fora do círculo primeiro e depois, um a um arriscariam o salto.
O guerreiro mais jovem seria o primeiro a pular, mas ele estava tão apavorado que outro companheiro se ofereceu para ser o primeiro.
Tomando a maior distância possível, o primeiro conseguiu saltar em segurança e o segundo foi logo atrás.
Com isso o guerreiro mais jovem ganhou confiança e se preparou para pular. Quando ele estava bem perto, a serpente levantou a cabeça, fazendo com que ele batesse nela e caísse no chão desacordado.
O guerreiro mais velho rapidamente puxou o amigo para trás, esperando que a serpente devorasse os dois. Houve um silêncio interminável!!!
Quando o guerreiro mais jovem recobrou a consciência, a serpente simplesmente foi embora.
O jovem então conta que a serpente havia falado com ele em pensamento e que garantiu que não voltaria, caso eles fizessem o que ela lhes ordenara.
Eles deveriam viajar rumo ao norte, até alcançarem um rio e seguir por ele até um vale. Nesse vale eles encontrariam uma cabana com uma porta vermelha.
Nessa cabana vivia um homem com uma cicatriz abaixo dos olhos, sua esposa e uma criança. Esse homem os estaria esperando. Dois guerreiros deveriam ficar protegendo a cabana e os outros dois deveriam acompanha-lo até um lago distante que esse homem deveria atravessar.
Mesmo sem entender muita coisa e até duvidando que a serpente houvesse transmitido alguma mensagem, todos decidiram que deveriam fazer o que ela lhes havia ordenado e seguiram viagem rumo ao norte, com receio de que a serpente pudesse voltar e devorar a todos.
Depois de muita caminhada em silêncio, os quatro chegaram ao esperado vale e para surpresa de todos, lá estava a cabana com uma porta vermelha.
Ao se aproximarem, um homem de meia idade veio ao encontro deles e, de fato, ele tinha uma grande cicatriz no rosto, logo abaixo dos olhos. A serpente havia mesmo falado com o guerreiro mais jovem.
O homem e sua família os receberam em sua casa e lhes ofereceram comida.
Depois de comerem, o homem com a cicatriz disse que sabia que tinham uma mensagem para ele.
O guerreiro mais velho revelou o propósito de sua jornada e disse:
“Dois de nós ficarão aqui para proteger sua família e os outros dois deverão acompanha-lo. Serão muitos dias de viagem. Devemos chegar a um lago e você deverá atravessa-lo. Se conseguir chegar até a outra margem, poderá voltar para casa.”
“Sim”, disse o homem com a cicatriz no rosto. “Eu viajarei com vocês.”
Naquela noite, os quatro montaram um pequeno acampamento perto da cabana. Todos estavam muito confusos. Afinal, por que uma serpente falaria com eles? Por que o homem deveria atravessar o lago? Ainda, por que aquele homem vivia com sua família alí, isolado dos demais? O que teria acontecido com ele?
Chegado o momento da partida, ficou definido que o guerreiro mais velho e o mais jovem acompanhariam o homem até o lago, enquanto os outros dois ficariam e guardariam sua casa e família até seu retorno.
E nada mais foi dito a respeito do assunto.
A jovem esposa se despediu do companheiro com lágrimas e o acompanhou com os olhos até o perder de vista.
Foram quinze dias de caminhada, até alcançarem e atravessarem o grande Muddy River em direção ao lago. Novamente, nenhuma palavra foi dita acerca da missão.
Quando finalmente chegaram ao lago, notaram um silêncio estranho. Não haviam animais ou aves no lugar. Até o ar parecia parado.
Então o homem da cicatriz disse:
“Amanhã cedo entrarei no lago, como vocês me orientaram. Acho que sei o que me espera. Se eu não alcançar a outra margem, por favor, levem minhas coisas para minha esposa e a acompanhem de volta à sua família. Perguntem também, a ela, o que quiserem saber sobre mim. Ela lhes dirá tudo.
Uma coisa era certa nessa história toda. O homem com a cicatriz no rosto era muito corajoso!
Na manhã seguinte, os dois guerreiros assistiram o homem com a cicatriz fazer suas orações, despir-se e entrar no lago cantando sua canção de morte.
O lago era raso até quase a metade de sua extensão. Quando o homem chegou ao meio, ondulações começaram a se formar nas águas paradas do lago e num picar de olhos, um vulto negro surgiu na superfície e o arrastou para baixo. Em seguida, as águas voltaram a ficar calmas.
Os dois guerreiros correram até a margem do lago, mas sabiam que não poderiam fazer nada. Permaneceram lá a manhã inteira na esperança de que o homem voltasse.
Mas nada aconteceu.
Vinte dias de viagem de volta à cabana com a porta vermelha.
Os outros dois guerreiros esperavam em vigilia.
Assim que os avistaram, contaram que a jovem esposa chorou desde que eles partiram e que, em sinal de luto, havia cortado os cabelos.
Ela sabia que seu marido não regressaria.
Mais alguns dias se passaram até que a jovem finalmente falou com eles.
“Devo voltar para meu povo.”
“Sim, nós a levaremos até eles. Seu marido nos pediu que assim o fizéssemos,” disse o mais velho.
Durante o caminho de volta ao seu povoado, a jovem viúva nada falou.
Ao chegarem a jovem foi calorosamente recebida por sua família e os guerreiros foram convidados a permanecer o tempo que quisessem. Resolveram descansar por alguns dias.
Na tarde em que se preparavam para partir, a jovem viúva foi conversar com eles.
Ela disse:
“Preciso lhes falar sobre meu marido.
Quando ele era jovem, tinha um bom amigo que se tornou um poderoso feiticeiro. Mas ele escolheu o lado escuro da magia e se tornou aliado de espíritos maus.
Meu marido se afastou dele e se tornou um grande líder do nosso povo.
O feiticeiro ficou enciumado e usou seus poderes contra meu marido. Com sua magia, ele matou sua primeira esposa, mas mesmo assim meu marido não aceitou se juntar a ele. O feiticeiro foi ridicularizado por toda a aldeia. Com o passar do tempo, ele enlouqueceu e morreu.
Nessa ocasião um espírito mau veio até meu marido e disse que ele seria punido pela morte do feiticeiro.
Ele deveria fazer uma escolha: Ele poderia aceitar a vergonha do banimento ou assistir toda a aldeia ficar enlouquecida como o feiticeiro havia ficado.
Meu marido escolheu o banimento.
O espírito então lhe disse que quatro homens viriam ao seu encontro para leva-lo, mas que ele não saberia quando isso aconteceria. O espírito queria que meu marido vivesse cada dia como se fosse seu último.”
“E como você se tornou a esposa dele?”, perguntou o mais jovem.
“Meu pai me contou a história desse corajoso e honrado homem e disse que uma bravura e uma honra como essa, não poderiam morrer com ele. Deveriam ser passadas adiante. E eu me tornei sua esposa e lhe dei um descendente.”
Os quatro guerreiros voltaram pra casa naquele dia.
Quando contaram sua história, muitos não acreditaram. Mas os quatro se tornaram os homens mais honrados de seu povo.
Se existem mesmo serpentes gigantes?
Bom, não se pode dizer que sim ou que não. Mas certamente existem muitas coisas poderosas, incríveis e misteriosas por aí.

Wophila JMMIII

Profecia Nativo-Americana

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Exitem muitas profecias entre os povos nativo-americanos.
Uma delas é recorrente em diversas nações: Cree, Zuni, Cherokee, Lakota Sioux, Navajo-Hopi, entre outas.

“Haverá um tempo, quando a Terra estiver devastada e poluída, quando as florestas estiverem sendo destruídas, quando os pássaros caírem do céu, quando as águas estiverem escurecidas, os peixes envenenados, quando as árvores não mais existirem, a humanidade como conhecemos deixará de existir.
Haverá um tempo em que os ‘Guardiões da Lenda’, histórias, rituais, mitos e todos os costumes tribais serão necessários para restaurar a nossa saúde.
Esses guardiões serão chamados de os ‘Guerreiros do Arco-Iris…
Haverá um tempo de despertar quando todos os povos de todas as tribos formariam um ‘Novo Mundo’ de justiça, paz, liberdade e reconhecimento do Grande Espírito”. (Cree)

“No tempo do ‘Sétimo Fogo’, um novo tipo de pessoas surgirão. Eles refarão suas pegadas para encontrar a sabedoria que foi deixada de lado ha muito tempo atrás.
Seus passos os levarão aos anciãos, a quem pedirão orientação para guia-los nessa nova jornada.
Se esse novo povo permanecer firme e forte em sua busca, o tambor sagrado será ouvido novamente. Existirá um despertar das pessoas, e o fogo sagrado será aceso novamente”. (Hopi)

“Quandoa Terra estiver morrendo, uma nova tribo de todas as cores e credos se levantará. A tribo será chamada de “Guerreiros do Arco-Íris” e colocará sua fé em ações e não em palavras.” (Hopi)

“Os Gerreiros do Arco-Íris espalharão estas mensagens e ensinarão todas as pessoas da Terra ou Elohi. Eles ensinarão a viver o ‘Caminho do Grande Espírito’.
As tarefas destes guerreiros são grandes e muitas.
Nós somos parte da Terra e a Terra é parte de nós”. (Chefe Seatle)

“Existirão terríveis montanhas de ignorância para conquistar e esses guerreiros encontrarão preconceitos e ódio. Eles precisarão ser dedicados, inabaláveis em sua força e fortes de coração. Eles encontrarão corações e mentes voluntárias que os seguirão nesta estrada de retorno à Mãe Terra para a beleza e plenitude mais uma vez.
Quando mostramos respeito por outros seres viventes, eles respondem com respeito a nós”. (Arapaho)

“Quando o Tempo do Búfalo estiver para chegar, a terceira geração de crianças de olhos brancos deixará crescer os cabelos e começará a falar de Amor que trará a cura para todos os filhos da Terra. Estas crianças buscarão novas maneiras de compreender a si próprias e aos outros. Usarão penas, colares de contas e pintarão os rostos.
Buscarão os Anciãos de nossa raça vermelha para beber da fonte de sua Sabedoria. Estas crianças de olhos brancos servirão como sinal de que os nossos ancestrais estão retornando em corpos brancos por fora, mas vermelhos por dentro. Elas aprenderão a caminhar em equilíbrio na superfície da Mãe Terra e saberão levar novas idéias aos chefes brancos. Estas crianças também terão que passar por provas, como acontecia quando eram Ancestrais Vermelhos.”
(Sociedade Búfalo da Dimensão dos Sonhos).

Todas as profecias mencionam que quando a vida em nosso planeta estivesse ameaçada, um numero de pessoas cada vez maior surgiria, guiados e determinados a preservar a sabedoria dos povos nativos.
Seriam pessoas de todas as raças, de todos os credos, cores e costumes, que se empenhariam em resgatar os valores, os costumes esquecidos no tempo, mas que seriam fundamentais para recuperar a vida, reencontrar a harmonia e a paz através da consciência de que todas as raças constituem na verdade, uma só raça”.
Mitakuye Oyassin (somos todos parentes)

O Arco-Íris encarna a ideia de unidade de todas as cores.
Os Guerreiros do Arco-Íris encarnam a ideia de unidade de todas as raças.

Com certeza estamos vendo um número de pessoas cada vez maior, de coração ávido por um mundo melhor, trabalhando, cada uma à sua maneira, na esperança de aos poucos restabelecermos o amor e a sabedoria que estavam sendo perdidos no tempo.
Continuaremos sempre nessa incansável busca para podermos, de alguma forma, participar da confirmação dessa profecia.
Mais importante do que tudo, na minha opinião, será resgatarmos as qualidades de caráter desses povos.
Em breve estaremos falando um pouco sobre alguns dos valores que norteiam a vida desses sábios ancestrais.
Lourdes Azevedo

Quer um presente?

Olá,

Hoje eu gostaria de oferecer a você, meu leitor, um pequeno presente.
Como você já deve saber, sou apaixonada pela cultura dos povos nativos das Américas e vivo pesquisando e estudando tudo o que encontro a esse respeito.
Recentemente fiz um pequeno apanhado sobre as cores na visão dos povos nativos norte-americanos.

Se você, assim como eu se interessa pelo assunto, provavelmente gostará de conferir esse meu trabalho.

Para isso, basta enviar um e-mail para mlmazevedo@gmail.com e colocar “e-book” no campo assunto.
Não será preciso escrever nada.
Assim que seu e-mail aparecer na minha caixa de mensagens, estarei enviando o e-book pra você. Olha a carinha dele aí embaixo!

Depois, se você quiser, me conto o que achou, ok?

Grande abraço
Lourdes

capa ebook cores

 

Medicine Bag

Mai-1

Medicine Bag
Medicine Pouch
Maí
(Bolsa de Medicina)

Para podermos falar um pouco sobre esse assunto, precisamos, antes de qualquer coisa, definir o que significa “medicina” neste contexto.
Para o homem branco, a palavra medicina remete a remédios, médicos, hospitais e semelhantes.
Já para os povos nativos, “medicina” é uma referência a tudo que envolve força espiritual, energia, mistérios ou poderes sobrenaturais.
Uma Medicine Bag (Bolsa de Medicina) é um item ancestral e sagrado que foi criada para que a representação da energia desejada pudesse estar sempre junto de seu portador, para representa-lo espiritualmente.
Nela costumam ser guardados objetos que transmitem essa energia e que tenham significado importante para o seu dono.

A essência desses objetos guardados na sua Bolsinha de Medicina, cria um campo de energia e essa energia o guiará, protegerá e o representará.

Ter uma Bolsinha de Medicina e usa-la perto do coração, fará uma conexão da energia dos objetos  com o seu Eu interior, com o seu Eu espiritual e estará lá para lembra-lo constantemente, de quem você realmente é.

É tradição dos povos nativo americanos, carregar consigo sua ‘medicine bag’ com itens que os aproximem do Grande Espírito, o Criador, com itens que os conectem com o seu animal de poder, seus guias ou aliados, com as energias da natureza.

É possível, inclusive, ter mais de uma Bolsinha de Medicina.
Se você trabalha com terapias, por exemplo, poderá ter uma dessas bolsinhas com algumas ervas que possam auxilia-lo em seus atendimentos, na formação de um Círculo Sagrado, num tratamento de cura.
Uma outra poderá lhe ajudar numa jornada de Busca de Visão, numa meditação.

Seria interessante que, após escolher os objetos que você deseja guardar dentro dela, você se sentasse calmamente e passasse cada um deles, pela fumaça produzida pela queima de ervas como a salvia ou o capim limão.
Muito importante que você trate cada objeto, como aquilo que eles realmente são: a representação de uma energia da natureza. Feito isso, você poderá coloca-los na sua bolsa de medicina.
Pense sobre cada um dos objetos que você guardou e o que eles significam pra você. Expresse seu agradecimento pela ajuda oferecida por eles e imagine uma troca de energia entre você e sua Bolsa de Medicina.
Deixe a energia vinda dela fluir sobre você e estabeleça uma conexão de gratidão com o Grande Espírito, o Criador.
Quando você terminar essa meditação, carregue sua Bolsa de Medicina sempre com você, de preferência pendurada ao pescoço ou fixada a um cinto. Os nativos acreditam que a energia produzida por ela será melhor aproveitada se a mesma estiver perto do seu corpo.
Se possível, durma com ela sob seu travesseiro.
De tempos em tempos você poderá sentir a necessidade de remover alguma coisa ou de adicionar um item novo à sua Bolsa de Medicina.

Arte e Ancestralidade

Muitas vezes as pessoas que entram em contato comigo através da loja no Elo7, acabam puxando um ou outro assunto e, quando vemos, estamos trocando altas ideias por e-mail.

Isso me dá uma satisfação muito grande, porque adoro conhecer quem se interessa pelo meu trabalho.
Percebo que, assim como eu, algumas pessoas ficam curiosas para saber quem é a pessoa que está lá, do outro lado, ou quem idealiza e produz as peças artesanais expostas na galeria de imagens. Foi pensando nisso, que resolvi falar um pouco sobre mim.

Sou paulistana, separada e sem filhos, mas crio quatro cachorrinhos recolhidos da rua e amo cada um deles 😉

A ideia de fazer Filtro dos Sonhos, aconteceu sem querer, quando uma amiga, companheira de um curso sobre Espiritualidade Feminina (Feminino Essencial), me disse que gostaria de ter um e perguntou se eu fazia. Bem, até então eu não havia me arriscado a fazer nenhum deles, mas disse que iria pesquisar e que teria muito prazer em fazer um para ela.

Saí à cata de informações e logo produzi minha primeira peça que essa amiga tem pendurada na parede do quarto dela😉

Essa experiência reacendeu uma chama que sempre queimou dentro de mim…
Sou descendente de índios (Sioux) por parte de pai e sempre amei a cultura desse povo.  Em casa tenho arco e flechas, uma zarabatana, chocalhos (entre outras coisas) e um Filtro dos Sonhos que comprei em Nova York, feito por índios Sioux de uma reserva e simplesmente amo essa peça.

Bem, depois desse empurrãozinho da Nyara (minha amiga de curso), o resto veio muito naturalmente.
Eu já conhecia o trabalho do Elo7, então resolvi criar coragem e montar uma loja nesse espaço.
Contava com poucas peças naquela época (há mais de 4 anos), mas uma vontade enorme de desenvolver cada vez mais meu trabalho.
Estudo e sempre estudei muito a cultura dos povos nativos norte-americanos e sul-americanos também, claro, e sempre aprendo muito com eles.
Desse conhecimento, busco elementos que completem de maneira mais significativa cada uma das minhas peças e na medida do possível, escolho nomes indígenas para  elas. Aliás, essa é uma grande paixão também, conhecer melhor essa linguagem singular. Mas já estou correndo atrás disso 😉

Atualmente estou morando em Campinas, interior de São Paulo, mas devo voltar para a capital em breve.
Aqui tenho meu próprio espaço e montei meu ateliê, simples, mas com um astral maravilhoso!!!

Trabalho vendo meus cachorros brincarem no quintal, ouvindo música inspiradora, sentindo o aroma delicioso de um incenso e curtindo cada etapa da confecção das peças.

Tenho muitos sonhos, evidente, e corro atrás de todos eles.

Por diversas vezes recebo um retorno de meus clientes, mencionando a energia boa que sentiram ao adquirirem meus trabalhos e isso me deixa completamente realizada.
Trabalho com amor, com muito carinho e respeito, não só pelo cliente, mas também pelas tradições de meus ancestrais.

Espero que você que vem me visitar, se sinta mais em casa agora, conversando com uma amiga que estará sempre disposta a lhe ouvir e atender.

Lourdes Azevedo
www.elo7.com.br/magiadaterra
magiadaterra@rocketmail.com

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Sioux – Um Povo Especial

Um pouco sobre a história dos índios Sioux

Durante o processo de dominação da América do Norte, vários povos indígenas entraram em contato com os colonizadores franceses, espanhóis e ingleses. Entre uma infinidade de culturas instaladas naquela região, damos especial destaque aos índios sioux. A origem do termo tem a ver com a expressão serpente e era o termo costumeiramente utilizado pelas tribos inimigas que conheciam esta intrigante civilização, que se auto-intitulava como dakota.

A civilização Sioux (ou Dakota) é bastante diversificada, e ainda se subdivide em outros três grandes grupos: os Tétons, Yanktons e Santees. Dentro de cada uma dessas divisões temos a presença de uma infinidade de tribos entre as quais se destacavam os hunkpapas, os oglalas e brulés. Em geral as tribos pertencentes à civilização sioux se encontravam na atual região nordeste dos Estados Unidos, local marcado pelas pradarias e os rios da bacia do Missouri e do Mississipi.

As principais atividades econômicas dos sioux giravam em torno da agricultura, onde a plantação de milho possuía expressivo destaque. Além disso, realizavam atividades de caça a animais de grande porte como os búfalos e bisões. A caça desses animais envolvia uma grande preparação capaz de exigir a participação de aldeias inteiras. A carne obtida desse tipo de caça era dividia entre as famílias participantes, os ossos utilizados para o artesanato e fabricação de armas e o couro para a confecção de roupas e tendas.

Os sioux eram aliados dos índios chayennne e tinham os crow como seus mais tradicionais inimigos. Antes da chegada dos colonizadores espanhóis, essa civilização realizava constantes deslocamentos territoriais em busca das manadas selvagens de gado. Com o contato com os colonizadores espanhóis, os sioux passaram a utilizar o cavalo nas atividades de caça e, com isso, sofreram um processo de sedentarização. A partir de então puderam gastar mais tempo na realização de rituais religiosos e mágicos.

A Dança do Sol era um dos mais importantes rituais praticados pelos povos sioux. Nessa cerimônia havia um processo de autoflagelação em que os participantes cravavam estacas pontiagudas na pele, que ficavam presas a um poste de madeira através de uma tira de couro. Depois disso, ficavam várias horas do dia dançando em torno desse poste, até que a pele se desprendesse da estaca. Nesse momento, o ritual alcançava seu ponto máximo com o contato com os seres do mundo espiritual.

Depois do processo de independência dos Estados Unidos, os conflitos entre os colonizadores e os povos Sioux aumentaram significativamente. A resistência dessa grande civilização indígena se prolongou até o final do século XIX e marcou o processo de destruição das populações nativas da América do Norte. Atualmente, os remanescentes dos Sioux se reduzem a pequenas populações que vivem nos                 estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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