Compaixão

A7970

Compaixão
Waunsilapi
(Se importar, simpatizar)

A história de hoje que ilustra mais uma das virtudes buscadas pelo povo Lakota, trata de um atributo que seria maravilhoso se as pessoas pudessem desenvolver.
A compaixão, a empatia, certamente propiciaria uma vida melhor para todos nós. Se importar com os problemas, dificuldades e sentimentos alheios, denota um coração amoroso, um espírito elevado.

Como já mencionamos em histórias anteriores, o povo Lakota vivia nas planícies americanas, região de grandes lagos, florestas e vida abundante.
O maior inimigo desse povo naquele tempo eram as mudanças climáticas, as chuvas torrenciais, o inverno rigoroso, o calor excessivo.
Foi no mês da Lua em que as frutas amadurecem, Maio, que o verão chegou com muita, muita chuva. Os lagos e rios começaram a transbordar e a chuva não parava de cair.
A região foi inundada fazendo com que o povo fosse obrigado a desmontar o acampamento e procurar regiões mais altas para escapar do volume absurdo de água.
Mas a chuva continuava a cair e a região já estava quase toda submersa.
O alimento se tornara escasso porque os caçadores não podiam mais caçar.
Muitos pertences foram perdidos na correnteza e em função da chuva, também não era possível encontrar madeira seca para fazer fogueiras e se aquecer.
As pessoas começaram a ficar fracas e doentes.
Os primeiros a morrer foram os mais velhos porque já estavam fracos demais para lutar contra o frio e a fome.
Em pouco tempo muitos ficaram muito doentes, com tosse e problemas respiratórios. Não havia como conseguir plantas medicinais para ajuda-los e aos poucos, todos foram morrendo.
E então vieram os ventos, bravos e vingativos, destruindo tudo o que havia sobrado. Em poucos dias, todos morreram com exceção de uma jovem.
Ela e sua família haviam tentado escalar uma colina, mas o vento havia derrubado todos os outros.
O mesmo vento levou embora as nuvens e pela primeira vez em quase um mês, o sol banhou a terra com seu calor e seu poder de cura.
A grande inundação havia terminado, mas deixara a morte por todo o lugar.
Do topo da colina a jovem mulher podia ver a destruição causada pela água e pelo vento.
Para ela não importava mais que o sol brilhasse e que os animais aos poucos retornassem à região. Ela estava sozinha. Completamente sozinha.
Ela não deixou a colina.
Dia após dia, noite após noite, ela permanecia no mesmo lugar, com o coração partido e cada vez mais fraca.

Numa determinada manhã, ao acordar, ela se deparou com uma enorme águia de penas escuras, quase pretas, olhando para ela com olhos preocupados.
A jovem teve medo porque uma ave daquela envergadura facilmente a dilaceraria e devoraria, mas não era essa a intenção expressa nos olhos daquela majestosa águia.
A águia olhava para ela com curiosidade, até que falou:
“Estou vendo que você está sozinha”.
Ela começou a chorar e disse “Sim, a inundação levou minha família, levou todo meu podo, os duas-pernas. Agora estou sozinha”.
“Você está muito triste. Eu ouvi você chorar”, a águia disse.
“Não tenho família, não tenho amigos, só tenho tristeza.” ela respondeu.
“Então serei seu amigo”, disse a águia. “Diga-me o que posso fazer por você?”
“Você não pode fazer nada. Estou sozinha, vou morrer sozinha”.
“Não é verdade”, ele replicou. “Olhe ao seu redor! Seus parentes, os quatro-pernas, os com asas como eu, os rastejantes: eles estão aqui. Estamos todos aqui”
“Mas meu povo se foi. Sou a única sobrevivente. Não existe mais ninguém como eu, por isso estou esperando morrer para me juntar ao meu povo.”
“Se você morrer, não haverá mais ninguém como você no mundo. Não haverá mais nada além do vazio onde seu povo um dia existiu. Isso não pode acontecer. Você precisa viver”.
Ele estendeu suas asas e saiu voando.
“Onde você está indo? “Vai me abandonar?” ela perguntou.
“Só vou buscar comida pra você. Vou voltar”, ele disse.

E ele voltou trazendo um peixe.
“Preciso fazer uma fogueira para cozinhar o peixe”, ela disse, “Não posso come-lo assim, cru.”
“O que você precisa para o fogo?” ele perguntou.
“Preciso de madeira seca.” ela disse.
A águia podia voar alto e para longe, então saiu para buscar lenha.
Quando voltou a jovem fez uma fogueira e assou o peixe. Cada pedacinho que ingeria parecia lhe trazer força.
Enquanto ela comia, a águia permaneceu sentada, assistindo.
“Vocês duas-pernas, conseguem fazer coisas poderosas! Vocês podem fazer fogo! Mas claro, nós, os com asas e os quatro-pernas não precisamos dessas coisas” ele comentou.
“Sim, o fogo cozinha nossa comida e nos mantêm aquecidos. Não existe nada melhor do que o calor do fogo para espantar a escuridão. Um bom fogo é como um bom amigo.”
A águia trouxe mais lenha para que ela pudesse ter fogo pela noite adentro e permanecer aquecida.
Na manhã seguinte, quando ela acordou ele havia sumido.
Ela estava acostumando com sua presença e se sentia grata por toda a dedicação que seu amigo estava tendo com ela.
E ele voltou e dessa vez lhe trouxe um coelho para ela comer.
“Existe um lindo vale na direção em que o sol se põe. Seria um lugar perfeito para construir uma tenda. Existe água bem perto e fica protegido dos ventos frios do inverno. Talvez você pudesse gostar de ir pra lá”, ele disse.
“Não”, ela respondeu, “Estou aqui e permanecerei aqui. Posso fazer minha tenda aqui mesmo se eu quiser.”
A águia podia perceber que a tristeza que ela sentia era muito grande. Ele sabia também que ela seria infeliz pra sempre, porque era a única de sua espécie na terra. Ele já havia sobrevoado muitos lagos, florestas e montanhas e não havia encontrado nenhum duas-pernas. Ela ficaria velha e morreria sozinha.
Ele continuou lhe trazendo comida e lenha, sempre sobrevoando a colina e afastando de lá qualquer perigo. Ele até espantou um urso uma vez.
Ela foi ficando mais forte a cada dia e até começou a se preocupar com sua aparência. Conseguiu fazer um pente para arrumar os cabelos.
Antes da inundação ela era uma das mais cobiçadas jovens da região. Muitos pretendentes a cortejavam.

A terra estava se recompondo e a beleza da natureza tomava conta de todo o lugar. Ela sempre admirava a beleza da região. Mas, o que poderia fazer sozinha?
Como toda jovem ela havia sonhado em encontrar um bom e forte guerreiro, constituir uma família, criar seus filhos e envelhecer na companhia de seu marido. Agora, ela estava sozinha. O que poderia fazer?
Um dia, esperando por seu amigo ela subiu ao topo da colina e ficou maravilhada ao observar a natureza ao seu redor. No céu, um pequeno ponto foi se tornando cada vez maior e ela reconheceu a beleza e imponência de seu amigo chegando para encontra-la. Ele era uma águia muito poderosa. Mas seu maior poder era o de afastar sua solidão.
E ela disse: “Sem você eu não sou nada. Se ao menos eu fosse uma águia, poderia voar na sua companhia e não seria a única da minha espécie.”
“Venha”, a águia respondeu, “vamos voar. Agarre-se às minhas pernas.” E levantou voo.
Ela viu a terra como nunca havia visto antes. Conforme as árvores, lagos e colinas ficavam cada vez menores, a Terra em si parecia cada vez maior e a jovem mulher estava maravilhada com essa visão.
Quando voltaram a jovem agradeceu o maravilhoso passeio e a águia reafirmou “Sou seu amigo e sempre serei”.
A amizade dos dois cresceu e ficou cada vez mais forte, mas ainda era possível ver a tristeza nos olhos dela.

Um dia, a águia voou o mais alto que podia.
“Meu Pai” ele clamou, “Você é o Todo Poderoso, por que não olha pelo bem estar dela?”
E uma voz respondeu: “Eu tenho feito isso. Eu lhe enviei até ela”
“Mas eu só posso lhe buscar comida, não posso oferecer o que ela realmente precisa. Ela precisa de alguém da sua espécie” a águia disse.
“Existe uma saída” a voz respondeu.
“Diga-me, meu Pai. Eu a ajudarei em tudo o que for possível.”
“Você é uma boa criatura, assim como ela. Tem um bom coração e merece um bom lugar no Grande Círculo da Vida.” disse a voz. “Poucos têm o seu poder. Seria muito difícil perder seu lugar, mas é o que teria que acontecer caso você decida ajuda-la, porque você precisaria se tornar um duas-pernas.”
“Não estou entendendo, meu Pai”, a águia disse.
“Para ajuda-la, você precisa se transformar em um duas-pernas. Se você o fizer, nunca mais poderá voar. Nunca mais poderá ver a Terra das alturas novamente. A escolha é sua. Você pode se tornar um duas-pernas e como homem viver com ela até o final de seus dias. Ou você pode permanecer como está”.

A águia estava muito quieta aquela noite. A jovem percebeu que seus olhos não estavam brilhantes como de costume. Ele estava com algum problema.
“Existe alguma coisa na sua mente lhe incomodando”? ela perguntou
“Sim”, ele respondeu. Preciso ir embora. Tenho muito no que pensar”.
“Você vai voltar?” ela perguntou “Não conseguiria viver sem sua companhia.”
“Eu voltarei”, ele prometeu. “Não importa o que aconteça, serei sempre seu amigo. Vou trazer comida antes de partir. Fique na colina, não saia daqui”, ele advertiu.
Alguns dias se passaram e ela já estava impaciente, a solidão já a estava ameaçando como um inimigo à noite.
A águia voou o mais alto que pode e admirou a Terra como nunca antes. Era uma visão que ele não queria esquecer jamais.
“Pai”, ele chamou, “Aqui estou”.
“Filho” respondeu a voz. “Eu sei o que vai em seu coração. Você tem estado aflito por diversos dias. Mas parece que já fez uma escolha”.
“Sim” disse a águia, “Eu sei o que devo fazer”.
“Existem muitos da minha espécie. Ela é a única e não pode ser a última de sua espécie. A Terra e tudo o que existe nela sentiriam sua falta. Não vejo outro caminho.”
“Que assim seja”. disse a voz. “Eu lhe digo. Os duas pernas terão um lugar especial em seus corações para a sua espécie. Eles o terão na mais alta estima”.

O verão estava acabando. A brisa fria já estava começando a soprar. A jovem estava juntando lenha para se aquecer durante o inverno. Volta e meia ela olhava para o céu, procurando seu amigo.
“Você está esperando alguém?” disse uma voz às suas costas. Era uma voz familiar. Uma voz que ela conhecia muito bem. A jovem virou-se com um grande sorriso, mas ela não viu ninguém.
“Estou aqui” disse a voz familiar.
A jovem quase desmaiou quando viu afigura de um homem alto, jovem e bonito, sair de trás das pedras.
“Como isso é possível?” ela exclamou. “Achei que todos haviam morrido na enchente, menos eu!”
“Isso é verdade”, respondeu o jovem rapaz.
“Então de onde você veio?”
“Eu vim do céu” ele respondeu.
Aquela era a voz da águia! Deixando de lado seu receio e sua confusão mental, ela se aproximou. Havia algo familiar naqueles olhos.
“Lembra-se do dia em que voamos juntos?” ele perguntou. “Eu a levei bem alto, longe da Terra.”
“Não pode ser”, ela gritou, “É você!”
“Eu prometi que voltaria e voltei. Você não está feliz por me ver?
A jovem correu e o abraçou, sentindo o que achou que nunca poderia sentir.

Antes do inverno, construíram uma tenda para si e com o tempo se tornaram mãe e pai de muitas crianças e uma nova raça de duas-pernas estava povoando a região.
Sempre observavam o céu para ver as grandes águias voarem. Estavam admirando seus parentes.
Ensinaram seus filhos que ensinaram seus filhos, que ensinaram seus filhos.
Até hoje as penas de uma águia são sagradas para o povo Lakota e toda vez que um deles avista uma águia no céu, ele oferece uma prece em respeito e agradecimento por sua compaixão.

 

Wakan Tanka, wopila tanka.

Amor

Cottonwood5

Amor
Cantognake (entrar e permanecer no coração de alguém)

Você já viu um algodoeiro?
São árvores lindas, altas, fortes e vivem por muito tempo!
Algodoeiros podiam ser encontrados ao longo dos rios e dos lagos no território Lakota.
A brisa do verão costumava brincar com suas folhas e produz uma música suave e alegre que todas as criaturas gostavam de ouvir. Um murmúrio capaz de acalmar uma mente agitada, amolecer um coração empedernido, ou até curar um coração machucado.
Hoje nossa história será sobre dois algodoeiros que começaram suas vidas como outra coisa.

Há muitos, muitos anos atrás, dois jovens se conheceram numa festividade promovida por suas tribos.
Assim que se encontraram, não puderam mais tirar os olhos um do outro.
Seus nomes eram White Lance, um forte e alto guerreiro que havia contado suas primeiras vitórias na cerimônia Waktoglaka (da qual já falamos no post sobre Humildade) e ela, Red Willow Woman, que acabara de passar por sua primeira cerimônia de mulheres (passagem para a puberdade), bonita, com cabelos e olhos bem negros.
Participaram juntos de todas as danças lado a lado, passo a passo durante toda a festividade. Suas vozes pareciam uma só enquanto cantavam. Quando não estavam dançando, ficavam conversando por horas a fio.
No final das festividades, White Lance prometeu a Red Willow Woman que voltaria trazendo muitos cavalos para oferecer à sua família e pedir sua mão em casamento.
O verão passou e veio o outono. White Lance já havia capturado 12 cavalos e se dirigiu a aldeia de sua amada.
Porém, ao chegar, foi recebido por Red Willow Woman aos prantos que lhe contou que seu pai a havia prometido em casamento a um forte e corajoso guerreiro chamado He Crow. Ele vinha de uma família muito respeitável e certamente seria um excelente provedor.
White Lance nunca sentira nada igual em toda sua vida. A dor em seu coração lhe tirou o fôlego e ele não conseguia pensar claramente. Seu espírito parecia estar  encolhendo dentro dele.
White Lance enviou os cavalos de volta à sua aldeia e perambulou, sem rumo, por dias a fio. Quando voltou ao seu acampamento, fechou-se na tenda de sua família e ficou sem comer por muitos dias.
Na primavera chegou a notícia que Red Willow Woman e He Crow haviam se casado.
Red Willow Woman se tornou uma boa esposa, mas sua mente e seu coração pareciam estar sempre em um outro lugar.

White Lance também se casou com Good Medicine, a viúva de um grande amigo, morto durante uma caçada.
White Lance se tornou um líder e hábil guerreiro, mas todos notavam que ele procurava estar sozinho a maior parte do tempo, olhando fixo para lugar nenhum.
Era somente por ocasião das festividades quando suas aldeias se reuniam que os dois podiam se ver e conversar um pouco. Respeitosamente perguntavam sobre a vida um do outro e nada mais, mas era visível o brilho em seus olhos por ocasião desses encontros.
Mas o preço alto da honra, não estava sendo pago apenas por White Lance e Red Willow Woman. He Crow e Good Medicine também estavam pagando caro, pois não havia felicidade em nenhuma das duas uniões.
Foi numa dessas festividades que He Crow chamou Good Medicine num canto para conversar. Um plano foi elaborado.
No outono seguinte, Good Medicine pediu a White Lance que a levasse para visitar seus parentes. Seriam dias de caminhada.
No outro acampamento He Crow fez a mesma coisa; pediu que Red Willow Woman o acompanhasse numa visita à seus familiares.
Os dois casais viajaram sozinhos porque seus filhos já estavam crescidos e podiam ficar na aldeia.
White Lance e Good Medicine resolveram acampar no meio do caminho para descansar por uns dias e nesse meio tempo, chegaram He Crow e Red Willow Woman. Era uma situação muito estranha, mas todos pareciam felizes por se encontrar.

Na manhã seguinte He Crow teve uma atitude inesperada. Quando estava sentado sob a luz da fogueira, tirou um graveto dela e o atirou no chão dizendo: “Aquele graveto é você. Eu a afasto de mim agora. Você sabe que em nossos costumes, o marido pode escolher separar-se de sua esposa. Tenho minhas razões para fazer isso. Agora você está separada de mim e livre para ir aonde quiser.”
Antes que Red Willow Woman pudesse dizer alguma coisa, Good Medicine trouxe para fora de sua tenda, todos os pertences de White Lance e os colocou no chão dizendo:
“Eu lhe entrego suas coisas. Não existe mais lugar para você na minha tenda. Você sabe que em nossos costumes, uma mulher tem o direito de se separar de seu marido. Eu tenho meus motivos. Agora você está livre para ir aonde quiser.”
Passado o primeiro impacto, Red Willow Woman e White Lance entenderam o que estava acontecendo.
“Você é o homem no coração dela”, disse He Crow. “Você deveria ter sido o homem em sua vida também e agora o será.”
“E você é a mulher no coração dele” disse Good Medicine. “Tome o seu devido lugar com ele, como deveria ter sido há muito tempo atrás.”
He Crow acompanhou Good Medicine de volta a sua aldeira.
Naquela noite, White Lance e Red Willow Woman ficaram juntos como marido e mulher, vinte e cinco anos depois de terem se visto pela primeira vez.

Os dois ficaram acampados naquele vale próximo ao rio por vários dias. Passeavam pelas margens do rio admirando o mundo ao seu redor como se tudo fosse novo, diferente.
Mas o inverno estava se aproximando e White Lance precisava caçar para que os dois tivessem provisões suficientes para atravessar a estação.
Numa tarde, voltando da caçada, White Lance encontrou sua tenda vazia. Red Willow Woman não estava em nenhum lugar que sua visão conseguisse alcançar.
Saiu a procura da companheira, chamando seu nome e procurando pegadas no terreno. A neve já estava começando a cair e White Lance sabia que teria pouco tempo para encontra-la, antes que a neve cobrisse qualquer vestígio deixado por ela.
De repente ele ouve um terrível rugido e uma enorme sombra apareceu na sua frente. Um grande urso estava ao lado de um corpo caído no chão envolto por uma poça de sangue. Era Red Willow Woman.
Com um grito desesperado, White Lance correu em direção ao urso e atirou sua lança no peito do enorme animal. Mas o urso era muito forte e contra-atacou cravando suas garras afiadas no corpo de White Lance. Mesmo assim ele ainda conseguiu atirar mais uma lança que, dessa vez, feriu o urso mortalmente.
Com suas últimas forças, White Lance rastejou até Red Willow Woman e a pegou em seus braços. Ela ainda estava viva e conseguiu abraça-lo de volta.
Juntos, caminharam para a eternidade como deveria ter sido desde o início: como marido e mulher.

Dois verões se passaram até que um grupo de caçadores encontrassem seus ossos entrelaçados às margens do rio. Um pouco mais a frente, o esqueleto do urso com a ponta de uma lança no peito.
Os caçadores perceberam também dois algodoeiros crescendo lado a lado, entrelaçados, como se tivessem a mesma raiz.
As famílias sepultaram os ossos do casal ali, juntos, como foram encontrados.
Com o passar dos anos, os pequenos arbustos se tornaram árvores altas e fortes com seus galhos entrelaçados como nunca se vira antes. Muita gente foi até lá para sentar sob a sombra das árvores e sentir a brisa suave do vento chacoalhando suas folhas e produzindo lindas canções de amor eterno.