Respeito

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No artigo anterior falei um pouco sobre a humildade e como o grande guerreiro Crazy Horse foi um exemplo dessa virtude.
Dando continuidade aos artigos sobre as virtudes buscadas pelo povo Lakota, hoje vou falar um pouco sobre o ‘Respeito’.
Para ilustrar esse tema, vou contar uma das centenas de histórias que os mais velhos costumavam contar para seus filhos e netos, com o intuito de faze-los entender mais facilmente, a importância de se ouvir, entender e colocar em prática os ensinamentos que os ajudariam a viver com dignidade e harmonia.
Felizmente ainda existem descendentes desse povo que valorizam esses ensinamentos e que se dispõe a nos transmitir bondosamente.
Vou contar a história da “Mulher Cervo”.
Havia um jovem guerreiro que se tornara um exímio caçador. Sempre que saia para uma caçada, toda a aldeia sabia que ele demoraria alguns dias para voltar, mas certamente chegaria com provisões para todos.
Vamos chama-lo de ‘Koskalaka’ (que significa homem jovem), já que não sabemos seu nome.
Koskalaka vivia com sua avó para ajuda-la e fazer-lhe companhia, em vista de que a mesma era viúva.
Em gratidão, ela sempre lhe contava histórias fascinantes que Koskalaka adorava ouvir.
Entre elas havia essa sobre a Mulher Cervo.
A Mulher Cervo, segundo a história, era de uma beleza estonteante! Tão linda que qualquer um que dela se aproximasse, ficaria perdidamente apaixonado.
Ela vivia em uma tenda pequena mas aconchegante, e um fogo convidativo sempre brilhava em frente da mesma. Mas ninguém conseguia encontra-la por mais que a procurassem. Ela só era avistada quando um caçador, longe de casa, estivesse sozinho, cansado e com fome.
Ela o atraía para sua tenda, oferecendo-lhe alimento, calor, carinho e prazeres, até que o mesmo caísse no sono.
Quando o caçador acordava na manhã seguinte, descobria que a linda mulher havia desaparecido e havia levado com ela seu sossego, seu juízo.
Uma vítima dessa armadilha, como que num encantamento macabro, nunca mais teria paz e passaria o resto da vida procurando, em vão, reencontrar a Mulher Cervo.
A avó de Koskalaka o advertiu sobre o perigo de encontra-la na mata, aceitar seu convite e perder a cabeça para sempre.
“Alguns homens são feridos em batalhas ou enquanto estão caçando. Esses ferimentos podem ser curados, mas com o espírito é diferente. Se o seu espírito for ferido, ele talvez nunca mais possa ser curado”, dizia ela.
No outono seguinte, Koskalaka fez os preparativos para sua caçada. Precisava trazer provisões para a aldeia. Ele partiu para sua jornada com mais três outros guerreiros, mas como o verão anterior havia sido muito seco, os animais se distanciaram das regiões que costumavam habitar e os caçadores precisaram viajar muitos dias até conseguirem encontra-los.
Numa determinada tardinha, Koskalaka se afastou de seus companheiros seguindo a trilha deixada por um alce quando avistou uma tenda (tipi) iluminada por uma fogueira e percebeu que o aroma que saía da tenda era particularmente delicioso.
Curioso, mas com muita cautela, ele resolveu chegar mais perto e avistou uma linda mulher.
Ela percebeu sua presença e acenou para ele vindo em sua direção.
“Você deve estar muito cansado” ela disse. “Venha comigo. Eu tenho um bom fogo e um bom lugar para você descansar”.
Koskalaka nunca havia visto uma mulher tão bonita em toda sua vida. Sentiu-se extremamente tentado e por um momento, deu sinal de que a acompanharia. O desejo de segui-la era incontrolável!
Mas Koskalaka sabia exatamente quem ela era!
A Mulher Cervo estava ali, bem na sua frente!
Seus joelhos tremeram e um misto de desejo e medo pareciam se apoderar de seu coração.
Percebendo o receio do caçador, a linda mulher acrescentou, insinuante: “Você é forte e bonito. Eu estava esperando encontrar alguém exatamente como você!”
Nesse instante, quase cedendo aos encantos da misteriosa mulher, Koskalaka ouviu a voz de sua avó dizendo: “Poderá ser a mais difícil decisão da sua vida, mas você precisa fugir dela!”
Imediatamente Koskalaka juntou toda sua força de vontade e disse “Não. Eu não vou com você. Eu sei exatamente quem você é!”
O lindo rosto da Mulher Cervo se contorceu ao perceber que fora rejeitada e uma ventania inesperada, levantou as folhas do chão e sacudiu as árvores.
À frente de Koskalaka agora, havia um cervo furioso!
A tenda convidativa havia desaparecido.
O cervo partiu para o ataque, mas Koskalaka sacou seu arco e suas flechas revidando, o que fez com que o cervo fugisse, desaparecendo na mata.
O resto da caçada foi excelente e Koskalaka voltou para sua aldeia cheio de provisões. Com o tempo tornou-se um líder respeitado por sua sabedoria, calma e decisões acertadas.
Foi o respeito aos ensinamentos de sua avó que salvaram sua vida.
Talvez a Mulher Cervo não apareça aos viajantes solitários atualmente. Talvez ela tenha mudado sua tática. Os tempos são outros e as armadilhas também.
O respeito, porém, será sempre atual!
Não existe sociedade organizada sem que haja respeito.
Não me refiro aqui apenas ao respeito pelos mais velhos. Não existe questionamento sobre isso.
Mas é preciso ampliar gigantescamente essa noção de respeito. Precisamos começar respeitando a nós mesmos! Sermos íntegros, verdadeiros e conhecermos nossos limites.
Em seguida precisa haver o respeito por nossos semelhantes. Respeitar crenças, raças, costumes, enfim, todas as diferenças.
É preciso respeitar todas as formas de vida! Os animais, a natureza, o planeta!
Nunca é tarde demais para se demonstrar respeito.
Isso poderá garantir que você também seja respeitado/a.

Em breve virei recontar mais histórias como essa.

(com gratidão à Joseph M. Marshall III)

 

Sabedoria Atemporal

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Atualmente, um numero crescente de pessoas, busca conhecer melhor as cerimônias, os costumes e crenças dos povos nativos, por reconhecerem a verdade e simplicidade que existem nas mesmas.
Sim, esses povos ancestrais têm muito a nos oferecer e certamente podem nos ajudar a resgatar um estilo de vida mais pleno e significativo.
De grande importância também, será conhecermos melhor algumas virtudes que esses povos buscavam ter durante toda sua vida. Boa parte dessas virtudes parecem ter se perdido ao longo do tempo e seria maravilhoso se também pudéssemos resgata-las.
Inspirada pelos relatos e lendas contadas por um descendente dessa grande nação, um Sicangu/Oglala/Lakota, resolvi dedicar meus próximos posts para comentar algumas dessas virtudes e espero com isso, conseguir tocar seu coração como o meu foi tocado e incentiva-lo/a, a resgatar essa sabedoria ancestral

1 – HUMILDADE

Unsiiciyapi (ser humilde, ser modesto)

Talvez essa qualidade não esteja em voga atualmente. Vivemos num tempo em que as pessoas buscam enaltecer a si mesmas, vangloriar-se o tempo todo. Existe em nosso mundo, uma verdadeira guerra para ver quem sabe mais, quem faz mais, quem tem mais…
Para os tradicionais Lakota, porém, a humildade era uma virtude a ser perseguida durante toda a vida. Diziam que uma pessoa que anda ‘olhando para o chão’, enxerga melhor o caminho…
A humildade era uma qualidade fundamental para a escolha de seus líderes, por exemplo. Uma pessoa humilde que conseguisse se colocar no lugar dos outros, certamente tomaria boas decisões em benefício de toda a tribo.
Para esse povo, a humildade era uma virtude que realçava todas as demais.
Atos e feitos de bravura durante uma batalha, eram compartilhados em ocasiões especiais como na cerimônia “Waktoglaka” (contar suas vitórias). Essa era a única ocasião em que o guerreiro descrevia para os demais presentes, suas façanhas em um campo de batalha.
O objetivo dessas reuniões era compartilhar encorajamento, aprender novas táticas e incentivar uns aos outros. Não era esperado que o guerreiro que havia “contado suas vitórias”, ficasse se vangloriando e repetindo suas façanhas para toda a tribo.
Legends of the Americas by Sunti Pichetchaiyakul
Um dos maiores e mais prestigiados guerreiros Sioux/Oglala/Lakota, foi o lendário Crazy Horse.
Graças à sua incrível liderança, táticas de guerra e a total lealdade de seus guerreiros, conseguiu derrotar o temido general Custer em 1876.
Ele foi o responsável por deter, mesmo que temporariamente, o exército americano, no seu intento de capturar e confinar em uma reserva, todo o povo Lakota.
Teríamos muito a dizer sobre a vida de Crazy Horse, mas quero destacar aqui que, apesar de todo esse reconhecimento como grande guerreiro, ele é lembrado por seu povo, especialmente por ter sido uma pessoa humilde.
Se alguém tivesse o direito de participar da “Waktoglaka”, esse certamente seria Crazy Horse. Mas na realidade, ele nunca participou de uma dessas cerimônias.
Ele próprio, nunca contou suas conquistas. Outros guerreiros faziam isso por ele.
Crazy Horse sempre foi uma pessoa modesta, tímida e, apesar de ter conquistado o direito de usar muitos dos adornos concedidos aos grandes guerreiros, ele sempre se vestiu modestamente e quando usava um adorno, esse não passava de uma única pena.
Apesar de toda sua fama e do seu reconhecimento, ele andava pelo acampamento de cabeça baixa, em humildade, quando teria todo o direito de andar com arrogância.
Crzy Horse nunca se ofereceu para liderar seu povo. Ele simplesmente foi escolhido por todas as suas qualidades, por seu caráter.
Existem muitas lendas e histórias entre os nativos que ilustram a importância de sermos humildes. Certamente voltarei a falar desse assunto.
Se procurássemos a humildade como uma virtude a ser desenvolvida, talvez não tivéssemos em nosso mundo atual, tantos desentendimentos, tantas disputas, tantos conflitos.
Se lembrarmos que todos perdem com a arrogância, talvez possamos encontrar uma forma de tansformarmos nossas vidas, nossos relacionamentos e quem sabe, um dia, nosso mundo…
Ahow

Lourdes Azevedo

Profecia Nativo-Americana

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Exitem muitas profecias entre os povos nativo-americanos.
Uma delas é recorrente em diversas nações: Cree, Zuni, Cherokee, Lakota Sioux, Navajo-Hopi, entre outas.

“Haverá um tempo, quando a Terra estiver devastada e poluída, quando as florestas estiverem sendo destruídas, quando os pássaros caírem do céu, quando as águas estiverem escurecidas, os peixes envenenados, quando as árvores não mais existirem, a humanidade como conhecemos deixará de existir.
Haverá um tempo em que os ‘Guardiões da Lenda’, histórias, rituais, mitos e todos os costumes tribais serão necessários para restaurar a nossa saúde.
Esses guardiões serão chamados de os ‘Guerreiros do Arco-Iris…
Haverá um tempo de despertar quando todos os povos de todas as tribos formariam um ‘Novo Mundo’ de justiça, paz, liberdade e reconhecimento do Grande Espírito”. (Cree)

“No tempo do ‘Sétimo Fogo’, um novo tipo de pessoas surgirão. Eles refarão suas pegadas para encontrar a sabedoria que foi deixada de lado ha muito tempo atrás.
Seus passos os levarão aos anciãos, a quem pedirão orientação para guia-los nessa nova jornada.
Se esse novo povo permanecer firme e forte em sua busca, o tambor sagrado será ouvido novamente. Existirá um despertar das pessoas, e o fogo sagrado será aceso novamente”. (Hopi)

“Quandoa Terra estiver morrendo, uma nova tribo de todas as cores e credos se levantará. A tribo será chamada de “Guerreiros do Arco-Íris” e colocará sua fé em ações e não em palavras.” (Hopi)

“Os Gerreiros do Arco-Íris espalharão estas mensagens e ensinarão todas as pessoas da Terra ou Elohi. Eles ensinarão a viver o ‘Caminho do Grande Espírito’.
As tarefas destes guerreiros são grandes e muitas.
Nós somos parte da Terra e a Terra é parte de nós”. (Chefe Seatle)

“Existirão terríveis montanhas de ignorância para conquistar e esses guerreiros encontrarão preconceitos e ódio. Eles precisarão ser dedicados, inabaláveis em sua força e fortes de coração. Eles encontrarão corações e mentes voluntárias que os seguirão nesta estrada de retorno à Mãe Terra para a beleza e plenitude mais uma vez.
Quando mostramos respeito por outros seres viventes, eles respondem com respeito a nós”. (Arapaho)

“Quando o Tempo do Búfalo estiver para chegar, a terceira geração de crianças de olhos brancos deixará crescer os cabelos e começará a falar de Amor que trará a cura para todos os filhos da Terra. Estas crianças buscarão novas maneiras de compreender a si próprias e aos outros. Usarão penas, colares de contas e pintarão os rostos.
Buscarão os Anciãos de nossa raça vermelha para beber da fonte de sua Sabedoria. Estas crianças de olhos brancos servirão como sinal de que os nossos ancestrais estão retornando em corpos brancos por fora, mas vermelhos por dentro. Elas aprenderão a caminhar em equilíbrio na superfície da Mãe Terra e saberão levar novas idéias aos chefes brancos. Estas crianças também terão que passar por provas, como acontecia quando eram Ancestrais Vermelhos.”
(Sociedade Búfalo da Dimensão dos Sonhos).

Todas as profecias mencionam que quando a vida em nosso planeta estivesse ameaçada, um numero de pessoas cada vez maior surgiria, guiados e determinados a preservar a sabedoria dos povos nativos.
Seriam pessoas de todas as raças, de todos os credos, cores e costumes, que se empenhariam em resgatar os valores, os costumes esquecidos no tempo, mas que seriam fundamentais para recuperar a vida, reencontrar a harmonia e a paz através da consciência de que todas as raças constituem na verdade, uma só raça”.
Mitakuye Oyassin (somos todos parentes)

O Arco-Íris encarna a ideia de unidade de todas as cores.
Os Guerreiros do Arco-Íris encarnam a ideia de unidade de todas as raças.

Com certeza estamos vendo um número de pessoas cada vez maior, de coração ávido por um mundo melhor, trabalhando, cada uma à sua maneira, na esperança de aos poucos restabelecermos o amor e a sabedoria que estavam sendo perdidos no tempo.
Continuaremos sempre nessa incansável busca para podermos, de alguma forma, participar da confirmação dessa profecia.
Mais importante do que tudo, na minha opinião, será resgatarmos as qualidades de caráter desses povos.
Em breve estaremos falando um pouco sobre alguns dos valores que norteiam a vida desses sábios ancestrais.
Lourdes Azevedo

Dreamcatcher

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Dreamcatcher – Filtro dos Sonhos

Na rica cultura dos povos indígenas certamente aprendemos uma série de lições práticas e eficientes para nossas vidas. O que a civilização moderna perdeu ao longo do tempo, assistimos presente na vida desses povos originais do nosso planeta.
O relacionamento desses nativos com a natureza, por exemplo, denota seu respeito e confiança na mesma, além da sincera compreensão de que toda vida é sagrada e contém em si a energia fundamental do criador.

São os símbolos da natureza que inspiram esses povos na criação de seus instrumentos sagrados.
O círculo que define o tambor, que delimita suas tendas, que orientas suas danças, por exemplo, molda também o Dreamcatcher (Apanhador de Sonhos) e todos são inspirados na natureza, nos movimentos circulares dos ventos, no movimento circular do sol e da lua, das estações do ano, dos ninhos dos pássaros, no movimento circular que a criatura humana percorre durante a vida, de uma infância à outra.

Observando mais de perto o Dreamcatcher (Apanhador de Sonhos ou Filtro dos Sonhos) vemos também a representação da teia de aranha e lembramos que o universo é uma enorme teia na qual toda a criação está conectada.

Todas as tribos norte-americanas confeccionam seus Dreamcatchers, mas o primeiro registro da utilização desse artefato sagrado está relacionado à tribo Ojibwe ou Chippewa que vivia na região dos grandes lagos americanos, entre o Canadá e os Estados Unidos.

A introdução desse objeto sagrado na vida desses nativos é contada por uma lenda.
Diz-se que um índio saiu em peregrinação ao topo de uma montanha, em busca de visão e que durante sua meditação encontrou uma aranha, a grande tecelã do universo, que lhe trouxe uma importante mensagem.
A aranha  prendeu as extremidades de um galho de cipó formando um círculo e teceu dentro dele, uma teia. Enquanto tecia sua teia ela lhe lembrou que tudo nessa vida está relacionado ao movimento circular. Lembrou também, que a vida é rodeada de energias boas e energias ruins e que cabe a cada um de nós separa-las e trabalhar com elas. Se trabalharmos com as energias boas, seremos guiados na direção da harmonia com todas as coisas, mas, em caso contrário, encontraremos a dor e o infortúnio.
Quando a aranha terminou de tecer sua teia, entregou ao índio o aro e lhe disse:
“No centro deste aro está a teia que representa o ciclo da vida. Use-a para ajudar o seu povo a alcançar seus objetivos, fazendo bom uso de suas ideias, sonhos e visões.”

Vale mencionar que os sonhos desempenham um papel fundamental na vida desses povos e aprender a decifrar as mensagens contidas neles, é a tarefa mais importante que têm durante sua passagem pela terra. Logo, o Dreamcatcher se tornou uma importante ferramenta para auxilia-los nesse propósito.
Pela teia circulam as energias positivas e negativas. As negativas ficam presas nas ramificações da teia enquanto que as positivas atravessam o furo central e penetram no ambiente em que o artefato estiver colocado. Com o nascer do sol, a luz dissolve as energias negativas que  estavam presas à teia. As penas que enfeitam essas peças representam o elemento Ar, a respiração e as contas ou cristais representam o elemento Terra.

Com a popularização desse artefato por volta dos anos 60, qualquer pessoa pode ter o seu Dreamcatcher pendurado na janela ou nas paredes de suas casas, locais de trabalho, em seus carros. E como aqueles confeccionados pelos povos nativos, proporcionam harmonia, garantem o fluxo de energia positiva no ambiente e descartam as influências negativas às quais somos submetidos diariamente em qualquer ocasião.
Convém, porém, dar preferência às peças confeccionadas artesanalmente, se possível por alguém que conheça e respeite a cultura indígena e cada um dos elementos usados na confecção do mesmo. Alguém que terá o cuidado de canalizar vibrações harmoniosas durante o feitio da peça.

Símbolo de confraternização entre os povos nativos, o Dreamcatcher é um importante aliado na limpeza e manutenção energética do espaço em que vivemos.

Lourdes Azevedo

As cores e os Povos Nativos

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As cores na vida dos povos
nativos norte-americanos

Quando o criador de todas as coisas “Wakan Tanka”– Grande Espírito – Deus, concebeu nosso planeta, a “Mãe Terra” e tudo o que nele habita, Ele deixou evidente o valor das cores em suas mais diversas e incríveis variações.
Um lindo céu azul que nos envolve, os diversos tons de verde que compõem a vegetação, as fascinantes cores das flores, frutas, aves, animais, enfim, tudo desfila uma gama infindável de cores que provocam as mais diversas reações na criatura humana.
Essas reações vão do puro deleite à cura de emoções e enfermidades que, comprovadamente, levam ao equilíbrio que todos nós almejamos.
A cromoterapia, por exemplo, é um vasto campo de estudos e que tem se mostrado eficaz no tratamento de diversos desequilíbrios da nossa espécie, com o uso apropriado das cores.

As cores se tornaram instrumentos de expressão de todos os povos. Símbolos e suas cores são criados para representar nações, sentimentos, divindades, desde os primórdios de nossa existência.

Com os povos nativos essa expressão não é diferente.
Basta observar a profusão de cores em suas indumentárias cerimoniais, seus instrumentos ritualísticos, suas tendas e até mesmo a pintura que fazem em seus rotos.

Precisamos ter em mente, porém, que o significado das cores para os nativos norte-americanos varia bastante de tribo para tribo e a quantidade de tribos existentes na América do Norte é bastante grande.

Mas é possível identificarmos os significados de algumas cores que se repetem entre eles.
Vale dizer ainda, que as cores podem mudar de significado de acordo com o propósito de quem as usa.

Vamos começar falando um pouco de um dos mais importantes símbolos  desses povos que é a “Medicine Wheel” ou “Roda de Medicina” ou “Roda de Cura”.
A Roda de Cura é o símbolo da vida, um círculo infinito, sem começo ou fim.

Para muitas nações esse símbolo pode representar o Sol, a Lua, a Terra, as Estrelas, bem como alguns conceitos da vida como a continuidade, a consciência, energia, etc.
Para os nativos o conceito de círculo é fundamental e baseia-se em pura observação da natureza: o movimento circular do sol e da lua, das estações do ano, o formato dos ninhos dos pássaros, o movimento dos ventos, etc.

Dividindo esse círculo, temos duas linhas que se cruzam no meio do mesmo, resultando em quatro partes iguais. Essas partes podem representar:
– as 4 direções (pontos cardeais)-Leste, Sul, Oeste e Norte
– as 4 estações do ano – Primavera, Verão, Outono e Inverno
– os 4 estágios da vida – Nascimento, Juventude, Fase Adulta e Morte
– os 4 elementos – Terra, Fogo, Água e Ar
– as 4 raças humanas – Vermelha, Amarela, Preta e Branca
e assim por diante.

As cores usadas para representar cada um desses segmentos da Roda de Cura, também têm uma pequena variação.Talvez a mais conhecida seja a que divide o círculo em Preto, Branco, Amarelo e Vermelho.

1 – Amarelo

Para os nativos, o Leste é Amarelo.
O Leste é a direção na qual nasce o sol. As primeiras luzes do amanhecer acontecem no leste.
O leste é também o começo do entendimento, porque a luz nos ajuda a enxergar as coisas como elas realmente são. Num nível mais profundo, o leste representa iluminação, inspiração, a capacidade de superarmos desafios.
Portanto, o amarelo é a cor da iluminação, da inspiração, do crescimento, do emocional, do amor incondicional.

Nas pinturas de rosto, o amarelo significa determinação e nas pinturas de guerra ele representa a disposição do guerreiro de lutar até a morte.

Nos adornos de objetos sagrados como o “Talking Stick” (Bastão que Fala) ou o “Prayer Stick” (Bastão de Orações), o amarelo denota conhecimento, sabedoria e coragem.
Na pintura de “Totem Poles” (imagens esculpidas no tronco de árvores), muito comum entre os povos nativos na costa do Pacífico dos Estados Unidos, o amarelo é o símbolo do sol e representa luz e felicidade.

2- Vermelho

O vermelho representa a direção Sul da Roda de Cura.
É no Sul que o sol atinge seu ápice e essa direção representa o calor e o crescimento. Os raios do sol estão mais poderosos nesse ponto do céu e promovem a vida na terra. Diz-se que a vida de todas as coisas provém do sul.
Numa visão geral, o vermelho representa a fé, a comunicação.
Interessante notar que para os Navajos, a cor que representa o sul é o azul.
Já para um dos maiores xamãs Sioux, “Black Elk” (Alce Negro), o sul é amarelo.
Nas pinturas de rosto, o vermelho significa fé, beleza, felicidade e nas pinturas de guerra ele simboliza o sangue, a violência e a energia.
Nos adornos de objetos sagrados, o vermelho simboliza vida, fé e felicidade e nas pinturas dos totens, volta a significar sangue, guerra e bravura.

3- Preto

O preto simboliza o Oeste, onde o sol se põe e o dia termina. Por essa razão o Oeste simboliza a maturidade, o fim da vida, a transformação, a introspecção, o autoconhecimento.
O grande “Thunderbird” (Pássaro Trovão) vive no Oeste e de lá envia trovões e chuva para a terra. Por essa razão o Oeste é também a fonte da água – chuva, rios, lagos, oceanos.
O preto que representa essa direção sugere o silêncio, o examinar a si mesmo.
Nas pinturas de rosto o preto simboliza a vitória e o sucesso, diferente das pinturas de guerra em que o preto simboliza agressividade, força e poder.  O preto avisa que o guerreiro que usa essa cor como pintura é muito poderoso e já provou isso em batalhas anteriores.
Nos enfeites, pinturas e adornos de objetos sagrados, o preto representa a clareza, o foco, o sucesso e a vitória.
Já nos totens o preto volta a representar força e poder.

4 – Branco

O Norte é representado pelo branco. O Norte traz o frio, os ventos cortantes do inverno. Esses ventos são purificadores. Fazem com que as folhas antigas caiam das árvores e que a terra descanse sob um grande cobertor de neve.
O Norte representa os desafios que as pessoas precisam enfrentar durante a vida e a limpeza à qual precisam se submeter.
O Branco aqui representa a sabedoria dos mais velhos, a paciência, perseverança e o ato de compartilhar.
Nas pinturas de rosto o branco simboliza a pureza, a luz e nas pinturas de guerra simboliza o luto.
Como adorno, o branco é usado para representar o espírito, a luz, a pureza e nas pinturas de totens ele representa a paz, a pureza e a morte.

Ainda sobre as direções sagradas da Roda de Cura e suas cores, é interessante mencionar que quando o povo Lakota ora com seus cachimbos sagrados, eles incluem mais duas direções a essa Roda:

O Céu e a Terra.

O Céu, o Grande Espírito Wakan Tanka, comanda todas as coisas lá de cima, como uma águia que patrulha o firmamento. Para representar essa direção o Azul foi escolhido.
O Azul simboliza ainda a sabedoria, a sinceridade, a intuição nas pinturas de rosto e a confiança nas pinturas de guerra. Como adorno de objetos sagrados, o azul representa a oração, a intuição e na pintura de totens representa os oceanos, rios, lagos e o céu.

A Terra é a sexta direção, nossa Mãe de quem recebemos nutrição e que mantém a nossa vida.
A cor usada para representa-la é o Verde, a cor de todas as coisas que crescem no solo sagrado da grande mãe.
Nas pinturas de rosto o verde simboliza a natureza, a harmonia, a cura. Já nas pinturas de guerra, representa a persistência e determinação.
Nos totens a cor representa as colinas, montanhas, a natureza.

Gostaria de adicionar ainda, mais uma cor:

Roxo:
Essa cor não é usada nas pinturas de rosto ou pinturas de guerra. Ela é considerada uma cor sagrada que simboliza mistério, poder e magia. Ela é usada para adornar objetos sagrados e nos totens pode representar também, montanhas muito distantes.

Conhecer um pouco sobre as cores que os povos nativo-americanos usam como representação, nos ajuda a identificar suas intenções e sentimentos, ampliando nossa capacidade de percepção dessa rica e maravilhosa cultura.

 

 

Quer um presente?

Olá,

Hoje eu gostaria de oferecer a você, meu leitor, um pequeno presente.
Como você já deve saber, sou apaixonada pela cultura dos povos nativos das Américas e vivo pesquisando e estudando tudo o que encontro a esse respeito.
Recentemente fiz um pequeno apanhado sobre as cores na visão dos povos nativos norte-americanos.

Se você, assim como eu se interessa pelo assunto, provavelmente gostará de conferir esse meu trabalho.

Para isso, basta enviar um e-mail para mlmazevedo@gmail.com e colocar “e-book” no campo assunto.
Não será preciso escrever nada.
Assim que seu e-mail aparecer na minha caixa de mensagens, estarei enviando o e-book pra você. Olha a carinha dele aí embaixo!

Depois, se você quiser, me conto o que achou, ok?

Grande abraço
Lourdes

capa ebook cores

 

Medicine Bag

Mai-1

Medicine Bag
Medicine Pouch
Maí
(Bolsa de Medicina)

Para podermos falar um pouco sobre esse assunto, precisamos, antes de qualquer coisa, definir o que significa “medicina” neste contexto.
Para o homem branco, a palavra medicina remete a remédios, médicos, hospitais e semelhantes.
Já para os povos nativos, “medicina” é uma referência a tudo que envolve força espiritual, energia, mistérios ou poderes sobrenaturais.
Uma Medicine Bag (Bolsa de Medicina) é um item ancestral e sagrado que foi criada para que a representação da energia desejada pudesse estar sempre junto de seu portador, para representa-lo espiritualmente.
Nela costumam ser guardados objetos que transmitem essa energia e que tenham significado importante para o seu dono.

A essência desses objetos guardados na sua Bolsinha de Medicina, cria um campo de energia e essa energia o guiará, protegerá e o representará.

Ter uma Bolsinha de Medicina e usa-la perto do coração, fará uma conexão da energia dos objetos  com o seu Eu interior, com o seu Eu espiritual e estará lá para lembra-lo constantemente, de quem você realmente é.

É tradição dos povos nativo americanos, carregar consigo sua ‘medicine bag’ com itens que os aproximem do Grande Espírito, o Criador, com itens que os conectem com o seu animal de poder, seus guias ou aliados, com as energias da natureza.

É possível, inclusive, ter mais de uma Bolsinha de Medicina.
Se você trabalha com terapias, por exemplo, poderá ter uma dessas bolsinhas com algumas ervas que possam auxilia-lo em seus atendimentos, na formação de um Círculo Sagrado, num tratamento de cura.
Uma outra poderá lhe ajudar numa jornada de Busca de Visão, numa meditação.

Seria interessante que, após escolher os objetos que você deseja guardar dentro dela, você se sentasse calmamente e passasse cada um deles, pela fumaça produzida pela queima de ervas como a salvia ou o capim limão.
Muito importante que você trate cada objeto, como aquilo que eles realmente são: a representação de uma energia da natureza. Feito isso, você poderá coloca-los na sua bolsa de medicina.
Pense sobre cada um dos objetos que você guardou e o que eles significam pra você. Expresse seu agradecimento pela ajuda oferecida por eles e imagine uma troca de energia entre você e sua Bolsa de Medicina.
Deixe a energia vinda dela fluir sobre você e estabeleça uma conexão de gratidão com o Grande Espírito, o Criador.
Quando você terminar essa meditação, carregue sua Bolsa de Medicina sempre com você, de preferência pendurada ao pescoço ou fixada a um cinto. Os nativos acreditam que a energia produzida por ela será melhor aproveitada se a mesma estiver perto do seu corpo.
Se possível, durma com ela sob seu travesseiro.
De tempos em tempos você poderá sentir a necessidade de remover alguma coisa ou de adicionar um item novo à sua Bolsa de Medicina.